Simples Nacional e a Reforma Tributária: Cronograma até 2027

Enquanto a Reforma Tributária vira rotina em 2026 para o regime normal, empresas do Simples seguem como sempre. Mas 2027 começa uma escolha importante: continuar no Simples ou migrar.

2026 não muda nada para o Simples Nacional

Se sua empresa é optante pelo Simples Nacional (MEI, ME ou EPP), respira fundo: **2026 não trouxe alterações tributárias para você**. • Continua pagando o DAS unificado mensal • Continua sem destacar CBS e IBS nas notas • Continua com as mesmas alíquotas e faixas • A NFS-e Nacional é a única mudança operacional — e não tem a ver com a reforma tributária Aproveite esse ano para estudar, planejar e conversar com seu contador. Em 2027 vem a escolha.

O que muda em 2027: a escolha fundamental

A partir de janeiro de 2027, optantes do Simples Nacional terão que escolher entre: **Opção A — Continuar no Simples integral** - Paga CBS e IBS dentro do DAS (alíquota unificada do Simples absorve) - Sem direito a crédito de CBS/IBS nas compras - Sem poder transferir crédito para clientes (que perdem crédito também) - Vantagem: simplicidade, alíquota unificada **Opção B — Regime híbrido** - Continua no Simples para IRPJ, CSLL, etc - Sai do Simples apenas para CBS e IBS - Passa a apurar CBS/IBS no regime regular (com crédito) - Vantagem: mantém competitividade com clientes PJ (que querem o crédito) **Opção C — Sair completamente do Simples** - Regime regular integral - Direito a crédito amplo - Vantagem: otimização tributária para operações com muitas compras B2B

Qual opção escolher?

A regra de bolso: • **Seus clientes são pessoa física/consumidor final?** Fique no Simples integral. Crédito não importa para eles. • **Seus clientes são empresas (B2B)?** Considere o híbrido. Empresas preferem fornecedores que passam crédito de CBS/IBS — isso pode definir se você ganha ou perde contrato. • **Você tem muitas compras (matéria-prima, insumos)?** O regime regular oferece crédito amplo. Pode compensar sair do Simples se você tem volume. • **Você é serviço puro (designer, dev, consultor) para empresa?** Híbrido provavelmente é o melhor equilíbrio. Número importante: o crédito de CBS/IBS para o cliente representa de 25% a 28% do valor da nota a partir de 2033 (alíquota plena). Em um contrato de R$ 100 mil, são R$ 25 mil de crédito — nada desprezível.

Como fazer a conta: Simples integral vs regime regular

Simplificando (não substitui um contador): **No Simples integral:** Alíquota média varia de 4% (faixa 1) a 15,5% (faixa 6). Simples, previsível. **No regime regular (a partir de 2027):** - CBS + IBS (combinadas) subindo gradualmente de ~1% em 2026 até ~27% em 2033 - IRPJ + CSLL + INSS patronal = ~20-30% dependendo do regime (real ou presumido) - Crédito das compras reduz o valor efetivo Para serviços profissionais com poucas compras, o regime regular pode sair **mais caro** que o Simples. Para comércio ou indústria com compras significativas, pode sair **mais barato**. A conta exata depende do seu setor, margem e composição de clientes. Cada caso é um caso.

Cronograma detalhado 2026-2033

• **2026:** fase piloto informativa do regime regular. Simples não se envolve. • **2027:** fim do PIS, Cofins, IPI. Começa cobrança de CBS em alíquota reduzida (~0,9%). Simples escolhe: integral ou híbrido. • **2028:** CBS sobe, IBS começa. Ainda em transição. • **2029-2032:** alíquotas sobem gradualmente, ICMS e ISS caem. • **2033:** regime pleno. ICMS e ISS extintos. CBS + IBS na alíquota definitiva. Durante toda essa transição, o Simples Nacional continua existindo e empresas podem alternar entre os regimes respeitando as regras de opção anuais.

O que fazer agora (ainda em 2026)

1. **Mapeie seus clientes:** quantos % são PF (consumidor final) vs PJ (empresa)? 2. **Calcule margem:** quanto da sua receita vira lucro hoje? 3. **Liste suas compras tributáveis:** insumos, softwares, serviços que você paga 4. **Converse com contador em Q3/2026:** ele vai simular os 3 cenários com seus números 5. **Tome a decisão em Q4/2026:** para entrar em vigor em janeiro/2027 A Receita Federal vai disponibilizar um simulador oficial em 2026. Fique de olho em gov.br/receitafederal.

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